quinta-feira, 7 de abril de 2011

Papelão, hein?

Feio, muito feio para o PMDB o boicote à reunião do governador Ricardo Coutinho com a bancada paraibana no Congresso Nacional para tratar de assuntos do interesse do Estado. E nem adianta fingir que não foi boicote. Foi.

De alguns, como Wellington Roberto, eu já esperava atitude como essa. Nenhuma surpresa. Mas de outros, não. Especialmente de Vitalzinho. Como bem lembrou Josival Pereira, da Tambaú FM, Vitalzinho não poderia ter faltado de jeito nenhum, porque seu irmão, o prefeito Veneziano Vital, de Campina Grande, vive pedindo audiência com o governador para tratar de assuntos do interesse de Campina. Se Vitalzinho falta à reunião, que moral terá para cobrar a audiência para o irmão prefeito?

Então, se depender do PMDB, que tem ligação com o governo Dilma, a Paraíba jamais avançará. Jamais. Porque o que importa para esse partido é o tal do crédito. Ou seja, tem peemedebista com medo que o governador não dê o devido crédito ao esforço conjunto que está sendo feito pelo desenvolvimento da Paraíba. Baboseira maior que essa ainda estou para escutar. É primitivismo político, como afirmou o deputado Ruy Carneiro, articulador da reunião.

De todos da bancada, o único que tinha motivos de sobra para não ficar cara a cara com o governador era o senador Cícero Lucena. Engoliu mágoas, passou por cima das inúmeras diferenças e ainda foi extremamente cortês com o governador, cumprimentando-o com um aperto de mão. Tudo isso em favor da Paraíba. Ninguém, em sã consciência, vai acusar Cícero – como quiseram acusar Ruy – de estar aderindo, né?

Reunir-se, discutir assuntos da mais alta importância dos paraibanos, juntar esforços... nada disso significa aderir. Isso só está na cabeça dos mesquinhos, dos políticos que nunca sairão da mesmice politiqueira, dos que querem ver a Paraíba afundar, desde que Ricardo Coutinho vá junto.

Aos ausentes, um lembrete: seus eleitores querem desenvolvimento, obras estruturantes, economia vitaminada, mais empregos. Com ou sem Ricardo Coutinho. Não estão nem aí para aparência de adesão. Negar-lhes a oportunidade de uma Paraíba maior é o mais alto grau da mesquinharia. Coisa de gente baixa. De primitivo, mesmo.

A Cícero Lucena, o nosso reconhecimento de político que sabe honrar o seu mandato. Ou alguém pensa que esse gesto foi algo banal para ele?



Em tempo
Ridículo o comentário de Wellington Roberto sobre a “falta de autoridade” de Ruy de “convocar” a reunião. Ruy apenas tomou uma iniciativa que ele jamais tomaria, estou errada? Agora Wellington, vendo a tolice que fez, quer “convidar” o governador para uma conversa sobre os interesses da Paraíba. Quer levar o tal do crédito, entende?

É nada, sabichão!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Prazo de validade para políticos

O que vocês acham? Políticos deveriam vir com prazo de validade?
Explico: no meio da discussão sobre a reforma política, há quem defenda uma maior rotatividade de mandatos, a fim de se renovar quadros partidários e arejar o ambiente político, tão impregnado de vícios. No site “Outras palavras”, por exemplo, Marilza de Melo Foucher, doutora em Economia pela Sorbonne, defende que os mandatos se limitem ao máximo de duas legislaturas. “Os quadros políticos devem ser renovados. A rotatividade pode ser a solução para levar os jovens a se interessarem na política partidária. Por exemplo, um vereador pode se candidatar a prefeito; o prefeito, a deputado estadual; o deputado estadual, a deputado federal; o senador, a governador; o deputado federal, a senador. Se esta regra fosse votada teríamos uma renovação completa do corpo partidário. É uma rica experiência poder subir na esfera da legitimação da representatividade popular”, argumenta.
É um bom argumento e deve ser maturado. Claro que os políticos mais profissionais não iriam gostar nem um pouco disso. Mas, de fato, a ideia é boa. Melhor seria se fosse levada à consulta popular. Aliás, a discussão toda sobre o novo código eleitoral não deveria ficar restrita à comissão de parlamentares encarregada da nova redação. O povo deveria opinar.
Você, leitor, acha que deputado estadual com prazo de validade seria o ideal? E que prazo seria esse? Duas legislaturas para cada cargo disputado?
Eu, particularmente, acho que seria uma boa prática, embora o próprio povo trate de dar prazo de validade aos políticos, naturalmente, sem necessitar de norma legal para isso. Nem sempre o fim da validade ocorre porque os eleitores os considerem maus políticos, mas porque gostam de renovação, como aconteceu com Winston Churchil após a Segunda Guerra. O líder continuou sendo amado e respeitado pelos ingleses. Mas o povo queria novos nomes.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um metrô, por favor

O trânsito de João Pessoa está um caos. Muita gente comprando carro, poucas vias de escoamento, a cidade imprensada entre o rio e o mar, entre Cabedelo e Conde. Sem falar que, no mês de janeiro, moradores de outros municípios e Estados vêm passar as férias por aqui, que ninguém é de ferro.
Se eu fosse alguma autoridade na área de trânsito, já estaria com dor de cabeça. Alguma solução à vista?
Li neste portal que hoje João Pessoa está comemorando, pela primeira vez, o dia municipal da paz no trânsito. A data foi instituída pela Lei 11.973/2010, de propositura do vereador Bruno Farias “e é uma homenagem à Fátima Lopes, vitimada em um acidente na Epitácio Pessoa, e a todas as outras vítimas da violência no trânsito”, diz a matéria.
Precisamos de uma campanha publicitária pela paz no trânsito. Só um dia não dá. São 365 dias de caos. Ao problema da falta de espaço para a cidade crescer, some-se a falta de educação de motoristas, a insanidade de alguns motoqueiros, a imprudência de jovens, adultos e mesmo de pedestres – sim, pedestres também sabem como atrapalhar o trânsito. Que paz poderemos ter se nos falta o básico, a educação doméstica?
Mesmo antes de saber dirigir, eu já sabia que o lado direito das vias era para veículos lentos – ônibus e caminhões – ou para aqueles que gostam de andar devagar. Aqui, parece que a regra não vale. Vemos carros a 50 km/hora na faixa esquerda, atrapalhando todo mundo. E o motorista ainda fica com raiva se damos sinal de luz para que ele passe para o lado direito. Até parece que não frequentaram auto-escolas.
A iniciativa de Bruna é louvável. Mas é preciso mais. Mais dos legisladores, mais do Judiciário, mais das autoridades de trânsito. Ele lembra que processo criminal por homicídio de trânsito é uma rara exceção o que, segundo ele, acaba por incentivar novos crimes.
Concordo, Bruno.


E o metrô?

Toda vez que falo em trânsito, não me canso de citar Avenzoar Arruda e sua proposta de campanha para prefeito para construção de um metrô de superfície, que serviu de chacota àquela época. Hoje quem ri é ele. Precisamos não de um, mas de dois ou três.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Respeitem Cabedelo!

Um leitor meu reclamou, ao comentar minha última coluna (o comentário está lá, publicado), que eu havia esquecido de incluir o prefeito de Cabedelo no rol dos gestores públicos com pouco ou nenhum apreço pela coisa pública. Aceito a observação. De fato, no dia em que postei a coluna, saiu na imprensa notícia de que os bens do prefeito Régis haviam sido indisponibilizados. Coisa boa ele não fez.

Cabedelo não tem sorte com prefeitos. Nenhum faz quase nada. Mas já existem políticos se manifestando. Trocolli Júnior foi o primeiro. Dizem que o senador Roberto Cavalcanti, que mora em Intermares, tem intenções de se candidatar a prefeito.

Se o ex-deputado Denis, do PV, que mora em Camboinha, não for candidato, ou se Leto também estiver fora do páreo, eu voto em Roberto Cavalcanti. A despeito da desordem de sua vida econômica particular, tem provado que é um senador competente, preocupado com as questões da Paraíba. Botou Maranhão no chinelo.

As praias de Intermares (hoje com muito mais moradores que veranistas, inclusive com títulos eleitorais transferidos de João Pessoa para Cabedelo), Poço, Camboinha e Areia Dourada é como se não existissem para os prefeitos. Em Intermares, ondo moro, paga-se o IPTU mais caro do Estado. E pouco, muito pouco se tem feito para devolver aos moradores parte desse dinheiro.

Intermares não tem segurança. Ah, tá bom, há um posto policial, mas não consegue dar conta da demanda de ladrões. A iluminação nas ruas internas é péssima, favorecendo a ação de criminosos e baderneiros. Não existem praças – a única foi palco de confusão porque o prefeito tentou entregá-la a uma ONG que cuida das tartarugas do local. Esta ONG, por sinal, é bem-intencionada, mas praça é praça, tem que ficar com o povo.

Quando se asfalta uma rua, o prefeito a estreita, causando transtorno aos moradores. Alguns têm que fazer verdadeiras manobras radicais para tentar sair ou entrar de seus prédios, caso alguém estacione do outro lado da rua. Além disso, o asfalto mais parece uma capinha de piche para enganar os trouxas. Mal resiste a uma chuvinha de verão.

Portanto, caro leitor, sua indignação não apenas mereceu registro entre os comentários à minha antiga coluna, como também foi o mote desta. E você tem toda razão. Cabedelo merece respeito.



Transfiram seus títulos

Conversando com Ramalho Leite, ele me propôs que fizesse, como já o fiz em períodos eleitorais anteriores, uma campanha para que todos os moradores de Intermares e outras praias transfiram seus títulos de João Pessoa para Cabedelo. Só assim nos fortaleceremos. Quanto mais eleitores tivermos – e eles crescem a cada eleição -, melhor para o local em que escolhemos viver.

Viva Cabedelo!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Transição, verdades e mentiras

O governador José Maranhão tomou, finalmente, uma decisão prudente: reconheceu a derrota, coisa que ele não fazia há muito tempo. Agora, resta completar esse ato de lucidez permitindo uma transição tranquila, sem escaramuças. Para isso, os dois lados precisam ter bom senso, para que não se repitam os percalços que houve na época em que Ricardo sucedeu Cícero Lucena na prefeitura.

Ricardo é um tanto impaciente, Maranhão é um tanto turrão. Ambos terão que esfriar os ânimos e partir para uma transição verdadeiramente transparente, como o vice-governador Luciano Cartaxo já se dispõe a patrocinar.

Do lado de Ricardo, a dúvida é: será que Maranhão vai mesmo abrir o jogo sobre a situação do Estado? Ou a caixa-preta só vai ser descoberta mesmo após primeiro de janeiro?

Particularmente, não acho que Maranhão vá colocar na mesa a situação real, já que o Estado parece mesmo quebrado, a julgar pelas entrelinhas das declarações do secretário de Finanças, Marcus Ubiratan, sobre as dificuldades que poderá enfrentar para pagar o décimo-terceiro salário. De qualquer forma, tudo pode ser feito para que seja um processo com um mínimo de decência.

A crise é real. Por mais que se tente dar um polimento à situação, durante a transição, há muitos segredos encobertos.

Quando o governador José Maranhão era confrontado, nos debates das Tvs, sobre como conseguiria pagar a PEC-300, ele dizia: “Muito simples”. E continuava a conversa de “miolo de pote” afirmando que o crescimento econômico da Paraíba seria tanto que a arrecadação aumentaria a ponto de dar folga suficiente para esse aumento, que só passou a existir no segundo turno. Ou seja, não havia previsão legal e nem o Estado suportaria tanto.

A verdade veio mais depressa do que imaginei. Nada era tão simples assim. O Estado não está bem – está bem pior, isso sim. As declarações de Ubiratan são um alerta. Não, não é uma espécie de castigo, não acredito que seja uma vingança pela derrota de Maranhão. Creio que não há mesmo dinheiro folgado e nunca houve esse desenvolvimento que se descreveu com tanto alarido durante a campanha. O Estado está inchado, a folha está abarrotada, o endividamento aumentou, não existe dinheiro para o básico e numa existiu para PEC-300! Só que ninguém imaginava que não desse nem para o 13º!

Nada - repito - é tão simples quanto queria fazer crer o governador durante os debates. Mas torçamos para que, desta vez, haja um processo de transição menos complicado.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nem tudo vale no "vale-tudo"

Do autor da coluna Entrelinha, deste portal: “Se concretizar-se mesmo a vitória de Ricardo nesse segundo turno, será a sexta vez que Maranhão perde uma campanha para Cássio. Está virando rotina”.
É uma nota provocadora, sem dúvida, mas digna de atenção. Maranhão terá que fazer o possível e o impossível para ganhar esta eleição, caso ainda queira sobreviver politicamente. A coleção de fracassos nas urnas não o credenciaria a mais uma investida no Executivo. Então, é uma questão de sobrevivência sua e de seu grupo.
O problema é que, diante de um quadro adverso, seus marqueteiros partiram para o jogo do “vale-tudo”. Mas, é bom que se diga, até mesmo na luta do “vale-tudo”, nem tudo vale. Há regras. Um chute naquelas partes, por exemplo, é infração grave. No entanto, pode bater no rosto, nos rins, machucar, dar cotoveladas, joelhadas nas coxas, levar o adversário à lona. Se mesmo assim o adversário tentar se levantar, vale voar por cima dele, imobilizá-lo, sangrá-lo até que seus olhos se fechem e suas forças sejam minadas. É uma luta bem cruel, mas tudo é feito dentro das regras.
Nesta eleição, parece que não há regra alguma. A conquista do eleitor muitas vezes é feita através de golpes baixos. Claro que ninguém espera muita elegância, bons costumes e ética entre os adversários. É uma batalha dura, difícil, sanguinária. Mas acho que pelo menos um pouco de ética não faria mal a ninguém.
É visível que a turma do governador tem exagerado na dose. Qualquer votinho é importantíssimo neste momento. Por isso, é de se compreender as investidas pesadas dos marqueteiros do governador sobre Ricardo Coutinho.
Compreender é uma coisa, ser indulgente é outra.
Que se sangre o adversário, mas com armas lícitas. A tentativa de ligação de Ricardo com a magia negra e demonismo é uma nítida manobra de quem quer fazer valer o jogo do “vale-tudo”. A mentira pode até pegar em alguma parcela da população, mas o que pegou mesmo foi o terrível conceito que a turma do governador ganhou com essa total falta de ética. Ficou o selo do desespero total. Se ganhar a eleição, pode ter valido a pena tal baixaria. Mas, e se perder de novo?
Ninguém assume a autoria dos vídeos e panfletos apócrifos, que continuam a correr por aí afora e a gerar dúvidas sobre a religiosidade do candidato do PSB. De qualquer forma, partiu de adversários, é claro. Ricardo acusa o Conexão 15.
Foi um golpe baixo, que se espalhou como “viral”. O golpe é sujo porque, descaradamente, distorceu a realidade. Será que Ricardo não tem falhas reais que possam ser criticadas e combatidas pelo adversário? Acredito que, por mais justo que o ex-prefeito tenha tentado ser, em suas duas gestões, há certamente muitas coisas que não deram certo, há omissões, erros, exageros. Ou será ninguém é capaz de apontá-los?

Outra coisa

É incrível como até agora ninguém conseguiu fazer a ligação dos panfletos com alguém da campanha. Mesmo detidos, os donos da gráfica que foi flagrada com os panfletos apócrifos não apontaram quem teria sido o responsável pela encomenda. E vai ficar por isso mesmo?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Muito fraco

Se com todo esse uso da máquina, inúmeras nomeações, nepotismo às escâncaras, - o governador ainda se mantém atrás do prefeito a uma distância de 5%, como revelou a pesquisa não publicada pelo Correio da Paraíba, é porque o governador já não está com essa bola toda.
As suas atitudes – como por exemplo esse nepotismo escancarado, esses gastos estúpidos com propaganda, esse desprezo em relação aos servidores efetivos – estão fazendo com que aquela parte da população que ainda lhe era simpática agora reflita melhor. O povo está vendo que a imagem que o governo vende em suas propagandas na televisão não corresponde à realidade.
Cinco por cento podem parecer quase um empate técnico, mas na verdade significa uma derrota, não há como escapar dessa dura realidade. Nessa pisada, o governador vai fazer o quê agora para ficar à frente de ricardo? Anunciar mais obras que nunca sairão do papel? Inchar ainda mais a folha de pessoal? Maranhão deve estar com os nervos à flor da pele, embora disfarce e minimize esses números, é claro.
Repito: pode parecer uma diferença pequena, mas não é. Com tanta propaganda na televisão, tantas nomeações, tantas promessas faraônicas, já era para o governador estar pelo menos alguns pontinhos à frente. Não conseguiu até agora, e com o desgaste que sua administração está sofrendo, a tendência é a distância aumentar ainda mais. Porque o povo está sabendo distinguir o que é propaganda enganosa e o que é a realidade deste Estado.